quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A gente pode ser quem a gente quiser!


Foto: Ana Lucia Ramos

Mais um dia começa e a Sra. Joana já estava sentada na sala de espera do consultório médico quando um garotinho e sua mãe entraram. O menino, chamou a atenção porque usava um tapa olho.
Dona Joana ficou interessada pelo menino que não parecia ter sido afetado pela perda de um olho.
Ele, no começo ficou sentado calmamente, brincando no braço da cadeira com dois soldadinhos. Depois, sentou-se no chão.
E já não aguentando mais, a Sr.a Joana teve a grande oportunidade de aliviar a curiosidade que fazia aumentar sua taquicardia e perguntou ao menino o que havia acontecido com o seu olho. Ele analisou a pergunta e, em seguida, levantando o tapa-olho:
- Não tem nada de errado com o meu olho. Sou um pirata!
E voltou para a brincadeira com soldadinhos.
A Sra. Joana esta ali porque havia perdido a perna, do joelho para baixo, quando atravessava a rua na faixa de pedestre e um carro lhe atropelou.
Sua consulta naquele dia era para determinar se o joelho já cicatrizara o suficiente para ser encaixado numa prótese. A perda havia tirado a sua alegria de viver e sentia-se inválida. Emocionalmente, não conseguia superar este novo obstáculo em sua vida.
Mas foi então que a palavra “pirata” mudou sua vida. Foi, instantaneamente, transportada. Viu-se vestida de Long John Silver no convés de um navio pirata, sorrindo em meio a tempestade e ondas enormes que balançavam o navio. Ainda assim, ela se mantinha firme e segura.
Naquele momento, a imagem de inválida foi substituída e sua coragem voltou. Sentiu-se renovada e apenas diferente do que era antes.
Alguns minutos depois, a recepcionista a chamou. E, quando se equilibrou nas muletas, o garotinho percebeu sua amputação.
- Sra – chamou-a. – Cadê sua perna?
A Mãe do menino, se pudesse, enfiaria um saco de pão sobre a cabeça.
A Sra Joana, olhou para a perna mutilada e respondeu sorrindo:
- Nada, ué. Também sou pirata!

p.s.: a história é real, adaptada a partir da minha imaginação.

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